EDUCAR E BRINCAR DE CRIAR HISTÓRIAS

Lojistas e fabricantes de brinquedos educativos tem boas perspectivas de vendas desses produtos para o último trimestre deste ano. Artigos artesanais que incentivam a criatividade infantil são os principais apelo do setor. A estimativa de expansão neste final de ano varia entre 10% e 30%.
Patrícia Bull
A menos de uma semana do dia da criança, a garotada já está com a lista de presentes preparadas. E os pais, tentando atender os pedidos e equacionar o orçamento. Enquanto os produtores de brinquedos dos tradicionais esperam uma expansão que varia entre 10% e 30% nas vendas em relação ao ano passado, os de brinquedos educativos e artesanais apostam em um crescimento entre 60% e 70% nas vendas do último trimestre, em comparação com o restante do ano, resultados das vendas para o dia da criança e natal. "Embora o brinquedo educativo não tenha a mesma divulgação dos tradicionais, nos últimos anos tem aumentado bastante a sua procura. A impressão que tenho é que as pessoas estão procurando algo diferente para presentear as crianças, o que tem refletido positivamente no setor", afirma Marta Giardini, vice-presidente da associação brasileira de brinquedos educativos (Abrine)
Dados do setor apontam que, nos últimos dois anos, a produção cresceu 300%. Entretanto, Marta lembra que, embora em um primeiro momento a expansão pareça muito grande, dentro do mercado de brinquedos, cuja a participação dos educativos está entre 5% e 10%, é muito pouco. "Mas nossa produção tem aumentado ano a ano", afirma Marta, que também é proprietária da Mitra Officina de criação de jogos educativos. Segundo ela, a maior procura recai em jogos de madeira, encaixe e bonecas de tecido.
Marcia Mariah criadora e proprietária do ateliê By Malleh acha o que falta no setor. "Quando converso com as pessoas e mostro a importância do brincar, não perco nenhuma venda. Tenho clientes que dizem que poço dar um dos meu produtos até para uma criança que tem tudo, pois aquele seguramente ela não vai ter. Isso é a prova de que falta divulgação", afirma Marcia, que produz bonecos de pano e coleções de bonecos com livretos para serem utilizados como apoio no processo educativo.
Segundo Marcia, os pedidos nessa época do ano praticamente dobram em relação aos primeiros meses. Na By Malleh as bonecas de pano são as campeãs de pedidos, tanto nas lojas especializadas quanto no showroom da marca, localizado no Campo Belo.
Nos Balcões- Esse aumento da produção reflete também nas vendas ao consumidor final. De acordo com Marie Felice, responsável pela Pindorama Brinquedos Educativos, de outubro até dezembro, as vendas aumentam cerca de 40% sobre o restante do ano. "A partir de outubro temos um aumento significativo de vendas, mas não dá para precisar qual é o percentual específico para o Dia da Criança, pois muitos de nossos clientes já se preparam agora para o Natal", dia Marie.
Segundo ela, além de clientes tradicionais, que visitam a loja normalmente em busca de novidades, nesta época, há também um público que busca algo diferenciado, que estimula a criatividade e não a passividade. "O brinquedo artesanal funciona como educador, que desperta as aptidões da criança e não sua passividade, afirma Marie."

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NOIVA DE PANO

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A boneca casamenteira da coleção de bonecos de pano do ateliê Art & Mãos By Malleh da artista plástica e psicopedagoga Marcia Mariah – pode ser encomendada com os traços físicos semelhantes ao da noiva. Todos os bonecos são feitos em material antialérgico. O valor do modelo de noiva é R$ 100,00


BONECAS EDUCATIVAS

A primeira boneca feita no ateliê recebeu o nome de Ninah. O sucesso foi tão grande que a família cresceu. Surgiram os amiguinhos Beny e Lela. O vovô Bubi e a vovó Leni. A empresa foi criada há um ano e meio pela psicopedagoga Márcia Mariah. A empresária investiu R$ 20 mil para montar o negócio. O dinheiro foi usado para desenvolver a coleção de bonecas e comprar matéria-prima, como lã e espuma antialérgicas. As roupas são feitas com tricolini de algodão, que também é um tecido antialérgico. "Nós preferimos esse cuidado para não dar problema, a criança poder brincar porque serve de enfeite, ou serve de brincadeira. Ela pode usar que não vai fazer mal para a saúde dela", garante a empresária Márcia Mariah. Márcia e as duas funcionárias fazem entre 500 e 800 bonecos por mês. São mais de 50 modelos. Os principais fazem parte da coleção da Ninah. Cada um tem um livreto que ensina e resgata brincadeiras do passado, como cantigas de roda. O Beny ainda vem com um peão. O livreto do vovô ensina às crianças os cuidados necessários para preservar o ambiente. A Ninah é descendente de imigrantes europeus e tem a missão de explicar a importância deles no crescimento do Brasil. A inspiração de Márcia para criar a boneca foi a história da própria família. "Eu descobri que as mulheres da minha família têm muita habilidade com as mãos – dão certo com a culinária, nas artes plásticas, na costura e eu como filha de costureira quis resgatar todos esses valores, então criei a Ninah", explica Márcia. Um dos próximos passos do ateliê é exportar as bonecas. Márcia Mariah garante que investir em brinquedos educativos, além de prazeroso, dá retorno financeiro. "Você tem pessoas interessadíssimas nesse tipo de brinquedo e aos poucos eu sinto que está ampliando o interesse, até pela questão ecológica. Tem gente que prefere um boneco ou um brinquedo de pano a um outro tipo de presente, por exemplo", afirma Márcia. Os bonecos são vendidos em cinco lojas de São Paulo. Os produtos chamam atenção nas prateleiras. A união do boneco com um livreto é um diferencial que faz sucesso entre os clientes. A professora Cláudia Furtado sempre compra produtos educativos para a filha de 4 anos, Beatriz. "É importante porque a criança se depara com as letras, começa a interagir com os pais porque os eles lêem as histórias para as crianças. Elas usam a imaginação. Ajuda muito no aprendizado", acredita Cláudia. Outra empresa de São Paulo também lucra com a fabricação de brinquedos educativos. Há seis anos as amigas Denise Levi e Andréa Birsztein começaram a produzir kits para crianças. Na época Denise escreveu um livro infantil que era vendido com uma boneca e uma cama para montar. O produto fez sucesso e as lojas começam a pedir brinquedos parecidos. "Vendia para uma loja perto da minha casa, perto do meu trabalho e uma dessas lojas ficou interessada em representar o produto. E surgiram as perguntas: 'você só tem esse produto, você não tem alguma a mais?'. Se estão perguntando é porque tem um mercado. Estão faltando produtos desta linha'", diz a empresária Denise Levi. Com R$ 15 mil as amigas começaram o negócio. E recuperaram o investimento logo nos primeiros meses. A empresa cresce 25% ao ano. Os kits já são encontrados em 90 pontos de venda em todo o Brasil. São 30 modelos de kits. Um tem uma bolsa, o outro uma mochila, há um kit com pantufas. Os produtos vêm com miçangas, tintas, lápis de cor, cola. "A criança vai interagir com ele, vai colocar a criatividade dela lá. Vai mostrar: 'olha eu que fiz! Uma coisa que fiz, só eu tenho'. Acho que isso é uma coisa muito bacana", acredita Denise. Enquanto Andréa cuida da administração do negócio, Denise cria os produtos. "A gente aproveita os eventos que participamos, as feiras, para lançar sempre novos produtos nessas datas. E todo ano temos pelo menos seis lançamentos", comemora a empresária Andréa Birsztein. Andréa é mãe de gêmeas e Denise tem trigêmeos. São os filhos e os amigos deles que testam os kits antes do lançamento. "Tem que contar na bolinha", ensina Vitor, 6 anos. Se eles não gostam do brinquedo, a idéia é descartada. "Isso é muito bom porque poupa gastos na empresa também. Às vezes a gente tem uma idéia, acha que é legal e a criança não dá bola. Acontece, aconteceu isso mais de uma vez", conta Denise. A empresa se organiza para entrar num novo filão. O mercado coorporativo. A expectativa é aumentar as vendas em 30% neste ano. "Estamos procurando cada vez mais novos clientes, como empresas, brindes para filhos de funcionários, final de ano, dia das crianças", afirma Andréa.

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